Uma coleção de causos na estreia da Overload

Qualquer trajetória no mundo do entretenimento é repleta de causos. O primeiro evento que organizamos, em 2007, foi além e se tornou um festival de aleatoriedade. Antes, uma rápida volta no tempo. A empresa foi fundada em 2005 como um selo/gravadora, mas já com o plano de produzir shows em algum momento do futuro. Esse futuro chegou mais rápido do que o esperado e foi a solução para evitar a falência – mais detalhes sobre a fase “Records” da Overload, quem sabe, algum dia neste mesmo blog. Volta para 2007. Ao vermos a notícia que o Dark Moor tocaria em Osasco, conversamos com os produtores do show e pareceu ser uma boa oportunidade para estrear nesse ramo: o cachê era baixo e a banda tinha uma data extra disponível. O hoje finado Hammer Rock Bar, em Campinas, era a melhor casa do estilo no interior paulista, e assim anunciamos nossa primeira produção. A data seria 6 de julho, sexta-feira, aniversário da minha então namorada, hoje esposa, e com isso a primeira lição do showbiz: você irá perder casamentos, aniversários, jogos e festas em geral. Importante ressaltar o exótico itinerário dessa “tour brasileira”: Campinas e Osasco – deve ter sido a única com esse roteiro na história da música. O cartaz merece um capítulo à parte: ainda influenciados por uma adolescência à base clichês da Rock Brigade, tacamos logo “OS REIS ESPANHÓIS DO POWER METAL MELÓDICO” em todo o material de divulgação. Para a abertura, duas bandas locais – Counterparts e Winter Sky – e o veterano Seventh Seal, este graças ao xaveco do amigo Tiago Claro (Morcego/Tito), guitarrista do...

Rio: aquele abraço

Nossa ausência do Rio de Janeiro foi percebida por aqueles que acompanham o underground local nos últimos anos. A mudança foi realmente drástica: de cidade em que mais produzimos shows, até mais que São Paulo, para um lugar que visitamos poucas vezes no ano. O motivo é simples: é um mau negócio realizar eventos de pequeno e médio porte no Rio. Antes de entrarmos neste assunto, algumas ponderações são importantes. Estamos tratando especificamente do nosso ramo, ou seja, shows para até duas mil pessoas, normalmente dentro de algum sub-estilo do metal ou do progressivo – nossa análise exclui eventos em arenas ou estádios. O segundo ponto é que existe um preconceito, ou uma distorção da realidade, que resulta na ideia de que o Rio de Janeiro não tem público para rock comparado a outras praças como Porto Alegre ou Curitiba. É uma grande balela. Como segunda maior cidade do Brasil, o resultado mais comum das turnês é o Rio ter a segunda maior bilheteria. Nada mais natural. Vale ressaltar também que a crise econômica foi mais severa lá do que em outros estados, com atrasos de salários de servidores públicos, desemprego e clima generalizado de insegurança, o que certamente afeta a venda de ingressos. No Rio não falta público, faltam casas. O contraditório é que temos ótimas opções na cidade, incluindo algumas das melhores para shows deste porte no país, como Circo Voador e Imperator. Porém, na maioria delas, a equação dificilmente favorece o produtor. O Circo Voador é, provavelmente, a nossa casa favorita em todo o Brasil. Os shows lá tendem a ser memoráveis, com uma aura que...

Há 20 anos, o fim de uma era no Monsters of Rock

Houve um tempo em que shows internacionais não eram comuns no Brasil e a vinda de um artista inédito era um verdadeiro evento. Existiam poucos festivais, uma quantidade razoável de shows mainstream nas maiores cidades e esporádicas iniciativas underground. Um cenário, portanto, muito diferente do atual, em que São Paulo tem uma agenda comparável a qualquer metrópole do mundo. Apresentações simultâneas na cidade, algo comum hoje em dia, causavam polêmica – como quando Helloween e Overkill tocaram no mesmo dia nos finados Via Funchal e Olympia, respectivamente, em 2001. Nos (memoráveis?) anos 90, o maior encontro de heavy metal no país era o Philips Monsters of Rock, festival patrocinado pela empresa holandesa de eletrônicos e que usava a mesma marca do evento inglês criado na década anterior. Chamado carinhosamente de Monsters, era uma mescla de medalhões com bandas nacionais em ascensão e artistas gringos que dificilmente tocariam no Brasil. Foi assim que, nas três primeiras edições, de 1994 a 1996, os brasileiros – o festival atraía caravanas de tudo quanto é lugar – viram Kiss, Black Sabbath, Ozzy Osbourne, Iron Maiden, Motörhead, Paradise Lost, Helloween, King Diamond, Mercyful Fate, Angra, Viper e Raimundos, entre outros. Mesmo com apresentações irregulares e bandas em momentos menos inspirados de suas carreiras – vide Black Sabbath com Tony Martin em 94 e Iron Maiden com Blaze Bayley em 96 -, foram shows históricos, para o bem ou para o mal. Os apupos ao Skid Row, vítima do radicalismo brasileiro de então e de uma infeliz escalação entre Motörhead e Iron Maiden, se encaixam na segunda categoria. Naquela segunda metade da década de 90,...

A caminho do Brasil, Alcest responde às perguntas dos fãs

  No final de junho, o grupo francês Alcest faz sua terceira visita ao Brasil, a primeira como headliner – nas duas anteriores, a banda veio ao país para o Overload Music Fest. Os shows acontecem em Florianópolis (29/6), São Paulo (30/6) e Rio de Janeiro (1/7) e fazem parte da turnê de divulgação do álbum “Kodama”. Entrevistamos o guitarrista e vocalista Neige via Skype utilizando perguntas sugeridas pelos fãs através dos eventos no Facebook. O líder da banda, sempre solícito, falou sobre inspirações, processo de composição e sobre as apresentações no Brasil. Olá, Neige. Como estão as coisas por aí? Tudo bem, estamos nos preparando para a tour. Temos mais alguns ensaios nos próximos dias [entrevista realizada no dia 5/6]. Naturalmente, muitos fãs perguntam sobre o setlist. Você já pode adiantar algo ou prefere manter o mistério? Posso falar. Iremos tocar o “Kodama” na íntegra e na ordem do disco, além de uma seleção de clássicos da banda, com músicas de todos os álbuns. “Kodama” traz muitas influências japonesas. De onde surgiram? Sou fã da cultura japonesa desde criança, por causa de programas de televisão. Acredito que vocês também tenham essa influência no Brasil. Eu gostava de coisas como Dragon Ball Z, Saint Seiya, aí mais tarde descobri os filmes do Miyazaki [Hayao Miyazaki, diretor de “A Viagem de Chihiro”, entre outros]. Sempre gostei muito do Japão, o país é muito diferente da Europa em termos de mentalidade e estilo de vida. Quando tocamos pela primeira vez lá, há alguns anos, para mim foi como um sonho realizado. Isso me marcou muito, então eu diria que o “Kodama”...

Os cinco melhores shows segundo a equipe da Overload

Em 2015 a Overload completa dez anos de história, oito deles produzindo shows e turnês. No total já fizemos quase 150 shows de 70 artistas diferentes em 13 cidades pelo Brasil. Em comemoração aos nossos dez anos, perguntamos a nossa equipe: quais foram os cinco melhores shows que já produzimos? Parte do pessoal está em São Paulo, parte no Rio. Nem todo mundo esteve em todos os shows. Tem gente na equipe desde o começo, outros entraram recentemente. O critério foi livre, cada um pôde falar da sua experiência sem nenhuma regra. Abaixo segue o ranking seguido pelos palpites de cada um dos membros da nosso time . E para você, quais foram os melhores shows que produzimos? Deixe seu comentário! Se quiser refrescar a memória, aqui tem a lista completa: http://overload.com.br/empresa Os melhores shows segundo a equipe da Overload: 1 – God is an Astronaut 2 – The Maine 3 – Bad Religion 4 – Anneke Van Giersbergen & Daniel Cavanagh 5 – The Reign of Kindo As escolhas de cada membro da nossa equipe: Alessandra Tolc – Fotógrafa 1 – Nightwish – Circo Voador (Rio de Janeiro, 2012) Apesar de não ser fã da banda, vibrei ao saber que Floor Jansen assumiria os vocais. Fiquei boquiaberta ao vê-la de pertinho em toda a sua magnitude e cabelos esvoaçantes naquela noite! Pelas trocas de olhares e brincadeiras durante a apresentação, era visível a empolgação de todos os integrantes da banda com a nova formação, o público por sua vez também estava enlouquecido! 2 – Anneke van Giersbergen & Daniel Cavanagh – Manifesto (São Paulo, 2014) O show que fechou com chave de ouro uma turnê muito especial...