A maior vítima do câmbio

O impacto do câmbio no showbusiness é óbvio: cachês, vistos, voos… Diversos dos principais gastos de uma turnê são em moeda estrangeira (normalmente dólar ou euro). Todos os níveis de eventos são impactados, do show de estádio ao show mais underground imaginável. Porém, nem todos os tipos de evento têm os mesmos mecanismos para combater a crise cambial. Os shows de grande porte têm muitas formas de se manter competitivos. A flexibilidade vem, principalmente, de dois lados: – Existe uma gordura para queimar. Um artista que cobra cachê de 100 mil dólares pode fechar um show por 70 ou 80 mil. Pode se viajar com uma produção mais enxuta. Existe onde cortar custos. Cabe aos produtores não entrarem em leilões que inflam os cachês e custos de produção. O próprio real desvalorizado diminui o número de produtoras interessadas em arriscar. Isso naturalmente vai diminuir a demanda por shows internacionais, minimizando o impacto dos leilões. Nos níveis mais altos do showbusiness existem menos players, menos produtoras com cacife para trazer os artistas do primeiro escalão. – Nos eventos em grandes casas, arenas ou estádios existe uma maior tolerância com os altos preços dos ingressos. As produtoras conseguem diminuir o impacto do dólar mais caro subindo o preço dos ingressos. Eventos de pequeno porte não têm estes mecanismos. O underground funciona sem nenhuma gordura para queimar: os cachês são baixos, as produções não têm luxo, as equipes são mínimas (de vez em quando artistas viajam sem equipe nenhuma!). Quem mais sofre com o dólar a 3,50 é o underground. Imagine aquele show típico de Hangar 110, Clash Club ou Manifesto. Sabe aquele...