A caminho do Brasil, Alcest responde às perguntas dos fãs

  No final de junho, o grupo francês Alcest faz sua terceira visita ao Brasil, a primeira como headliner – nas duas anteriores, a banda veio ao país para o Overload Music Fest. Os shows acontecem em Florianópolis (29/6), São Paulo (30/6) e Rio de Janeiro (1/7) e fazem parte da turnê de divulgação do álbum “Kodama”. Entrevistamos o guitarrista e vocalista Neige via Skype utilizando perguntas sugeridas pelos fãs através dos eventos no Facebook. O líder da banda, sempre solícito, falou sobre inspirações, processo de composição e sobre as apresentações no Brasil. Olá, Neige. Como estão as coisas por aí? Tudo bem, estamos nos preparando para a tour. Temos mais alguns ensaios nos próximos dias [entrevista realizada no dia 5/6]. Naturalmente, muitos fãs perguntam sobre o setlist. Você já pode adiantar algo ou prefere manter o mistério? Posso falar. Iremos tocar o “Kodama” na íntegra e na ordem do disco, além de uma seleção de clássicos da banda, com músicas de todos os álbuns. “Kodama” traz muitas influências japonesas. De onde surgiram? Sou fã da cultura japonesa desde criança, por causa de programas de televisão. Acredito que vocês também tenham essa influência no Brasil. Eu gostava de coisas como Dragon Ball Z, Saint Seiya, aí mais tarde descobri os filmes do Miyazaki [Hayao Miyazaki, diretor de “A Viagem de Chihiro”, entre outros]. Sempre gostei muito do Japão, o país é muito diferente da Europa em termos de mentalidade e estilo de vida. Quando tocamos pela primeira vez lá, há alguns anos, para mim foi como um sonho realizado. Isso me marcou muito, então eu diria que o “Kodama”...

Overload Music Fest: erros e acertos

Já são quase dois anos sem post aqui no blog, um projeto que nunca decolou de verdade. Vamos tentar manter alguma regularidade a partir de agora, mas sem promessas. O fim (ou pausa) do Overload Music Fest nos pareceu um assunto digno para a retomada das atividades por aqui. É o evento que gostaríamos que fosse o carro chefe do nosso calendário anual, mas que também nunca decolou. A bem-sucedida edição de 2016 nos encheu de energia, mas 2017 nos trouxe de volta à realidade. Sem vira-latismo, iremos discutir os erros e acertos desta breve história do OMF e por que é difícil realizar um evento do tipo no Brasil. A primeira edição do festival teve God is an Astronaut, Alcest, Fates Warning, Swallow The Sun e Labirinto. Foi uma bela salada que não funcionou tão bem assim. A ideia de 2014 era trazer bandas de vertentes diferentes, mas que tivessem ao menos um pouco de intersecção musical. Tendo bandas de diversos estilos, atrairíamos um público variado, fãs das vertentes que nos propusemos a trabalhar dentro de um universo relativamente restrito da música torta: post rock, progressivo (sempre evitando o lado mais punheteiro do estilo), doom, post metal, etc. Na prática não funcionou. O Fates Warning ficou completamente isolado do resto do festival. No papel achávamos que o seu prog metal pouco indulgente, moderno e até bem atmosférico, como nos tempos de “A Pleasent Shade of Gray”, poderia funcionar junto com o resto do lineup. Porém, para os fãs das outras bandas, os vocais agudos de Ray Alder e a estética mais próxima do prog metal tradicional destoavam demais...

Existe uma indústria de heavy metal no Brasil?

Via Marquês, 21 de abril de 2012. Steven Wilson pergunta ao público, de forma desastrada, por que havia tão pouca gente em seu show naquela noite. A questão, injustamente interpretada como arrogante, era pertinente. Por que o show em São Paulo foi, de longe, o mais vazio em toda a turnê sul-americana? Importante lembrar: a tour passou até por Caracas, que não é exatamente a capital mundial do rock. Não era arrogância, era uma curiosidade legítima. Vejam bem, não é um artista fracassado que não entende por que as pessoas não vão aos seus shows. A pergunta era especificamente para aquela noite. Como explicar tamanha disparidade? Como a gigantesca São Paulo leva menos de 20% do público presente em uma apresentação em Santiago, Cidade do México, Nova Iorque ou Londres? A resposta é simples e complexa ao mesmo tempo: a indústria da música pesada no Brasil é ineficiente e defasada. Absolutamente todos os membros da cadeia não funcionam como deveriam: mídia, gravadoras, produtoras, agências, bandas, etc. O resultado é um público desinformado e desinteressado por novidades, bandas medíocres, mídia inexpressiva e gravadoras inúteis. Steven Wilson parece um exemplo ruim para iniciar um texto sobre a decadência da indústria do heavy metal no Brasil. Afinal, ele não é exatamente um artista de metal e sua música não é lá tão pesada. Porém, ele é o exemplo perfeito de uma indústria internacional que evoluiu e não chegou aqui. Em 2002 foi lançado “In Absentia”, o primeiro trabalho do Porcupine Tree em uma gravadora major. Este é, sem dúvida, o disco mais importante da carreira do Steven Wilson. Foi aí que sua...

Os cinco melhores shows segundo a equipe da Overload

Em 2015 a Overload completa dez anos de história, oito deles produzindo shows e turnês. No total já fizemos quase 150 shows de 70 artistas diferentes em 13 cidades pelo Brasil. Em comemoração aos nossos dez anos, perguntamos a nossa equipe: quais foram os cinco melhores shows que já produzimos? Parte do pessoal está em São Paulo, parte no Rio. Nem todo mundo esteve em todos os shows. Tem gente na equipe desde o começo, outros entraram recentemente. O critério foi livre, cada um pôde falar da sua experiência sem nenhuma regra. Abaixo segue o ranking seguido pelos palpites de cada um dos membros da nosso time . E para você, quais foram os melhores shows que produzimos? Deixe seu comentário! Se quiser refrescar a memória, aqui tem a lista completa: http://overload.com.br/empresa Os melhores shows segundo a equipe da Overload: 1 – God is an Astronaut 2 – The Maine 3 – Bad Religion 4 – Anneke Van Giersbergen & Daniel Cavanagh 5 – The Reign of Kindo As escolhas de cada membro da nossa equipe: Alessandra Tolc – Fotógrafa 1 – Nightwish – Circo Voador (Rio de Janeiro, 2012) Apesar de não ser fã da banda, vibrei ao saber que Floor Jansen assumiria os vocais. Fiquei boquiaberta ao vê-la de pertinho em toda a sua magnitude e cabelos esvoaçantes naquela noite! Pelas trocas de olhares e brincadeiras durante a apresentação, era visível a empolgação de todos os integrantes da banda com a nova formação, o público por sua vez também estava enlouquecido! 2 – Anneke van Giersbergen & Daniel Cavanagh – Manifesto (São Paulo, 2014) O show que fechou com chave de ouro uma turnê muito especial...

A maior vítima do câmbio

O impacto do câmbio no showbusiness é óbvio: cachês, vistos, voos… Diversos dos principais gastos de uma turnê são em moeda estrangeira (normalmente dólar ou euro). Todos os níveis de eventos são impactados, do show de estádio ao show mais underground imaginável. Porém, nem todos os tipos de evento têm os mesmos mecanismos para combater a crise cambial. Os shows de grande porte têm muitas formas de se manter competitivos. A flexibilidade vem, principalmente, de dois lados: – Existe uma gordura para queimar. Um artista que cobra cachê de 100 mil dólares pode fechar um show por 70 ou 80 mil. Pode se viajar com uma produção mais enxuta. Existe onde cortar custos. Cabe aos produtores não entrarem em leilões que inflam os cachês e custos de produção. O próprio real desvalorizado diminui o número de produtoras interessadas em arriscar. Isso naturalmente vai diminuir a demanda por shows internacionais, minimizando o impacto dos leilões. Nos níveis mais altos do showbusiness existem menos players, menos produtoras com cacife para trazer os artistas do primeiro escalão. – Nos eventos em grandes casas, arenas ou estádios existe uma maior tolerância com os altos preços dos ingressos. As produtoras conseguem diminuir o impacto do dólar mais caro subindo o preço dos ingressos. Eventos de pequeno porte não têm estes mecanismos. O underground funciona sem nenhuma gordura para queimar: os cachês são baixos, as produções não têm luxo, as equipes são mínimas (de vez em quando artistas viajam sem equipe nenhuma!). Quem mais sofre com o dólar a 3,50 é o underground. Imagine aquele show típico de Hangar 110, Clash Club ou Manifesto. Sabe aquele...