Overload Music Fest: erros e acertos

Já são quase dois anos sem post aqui no blog, um projeto que nunca decolou de verdade. Vamos tentar manter alguma regularidade a partir de agora, mas sem promessas. O fim (ou pausa) do Overload Music Fest nos pareceu um assunto digno para a retomada das atividades por aqui. É o evento que gostaríamos que fosse o carro chefe do nosso calendário anual, mas que também nunca decolou. A bem-sucedida edição de 2016 nos encheu de energia, mas 2017 nos trouxe de volta à realidade. Sem vira-latismo, iremos discutir os erros e acertos desta breve história do OMF e por que é difícil realizar um evento do tipo no Brasil. A primeira edição do festival teve God is an Astronaut, Alcest, Fates Warning, Swallow The Sun e Labirinto. Foi uma bela salada que não funcionou tão bem assim. A ideia de 2014 era trazer bandas de vertentes diferentes, mas que tivessem ao menos um pouco de intersecção musical. Tendo bandas de diversos estilos, atrairíamos um público variado, fãs das vertentes que nos propusemos a trabalhar dentro de um universo relativamente restrito da música torta: post rock, progressivo (sempre evitando o lado mais punheteiro do estilo), doom, post metal, etc. Na prática não funcionou. O Fates Warning ficou completamente isolado do resto do festival. No papel achávamos que o seu prog metal pouco indulgente, moderno e até bem atmosférico, como nos tempos de “A Pleasent Shade of Gray”, poderia funcionar junto com o resto do lineup. Porém, para os fãs das outras bandas, os vocais agudos de Ray Alder e a estética mais próxima do prog metal tradicional destoavam demais...

Existe uma indústria de heavy metal no Brasil?

Via Marquês, 21 de abril de 2012. Steven Wilson pergunta ao público, de forma desastrada, por que havia tão pouca gente em seu show naquela noite. A questão, injustamente interpretada como arrogante, era pertinente. Por que o show em São Paulo foi, de longe, o mais vazio em toda a turnê sul-americana? Importante lembrar: a tour passou até por Caracas, que não é exatamente a capital mundial do rock. Não era arrogância, era uma curiosidade legítima. Vejam bem, não é um artista fracassado que não entende por que as pessoas não vão aos seus shows. A pergunta era especificamente para aquela noite. Como explicar tamanha disparidade? Como a gigantesca São Paulo leva menos de 20% do público presente em uma apresentação em Santiago, Cidade do México, Nova Iorque ou Londres? A resposta é simples e complexa ao mesmo tempo: a indústria da música pesada no Brasil é ineficiente e defasada. Absolutamente todos os membros da cadeia não funcionam como deveriam: mídia, gravadoras, produtoras, agências, bandas, etc. O resultado é um público desinformado e desinteressado por novidades, bandas medíocres, mídia inexpressiva e gravadoras inúteis. Steven Wilson parece um exemplo ruim para iniciar um texto sobre a decadência da indústria do heavy metal no Brasil. Afinal, ele não é exatamente um artista de metal e sua música não é lá tão pesada. Porém, ele é o exemplo perfeito de uma indústria internacional que evoluiu e não chegou aqui. Em 2002 foi lançado “In Absentia”, o primeiro trabalho do Porcupine Tree em uma gravadora major. Este é, sem dúvida, o disco mais importante da carreira do Steven Wilson. Foi aí que sua...