Rio: aquele abraço

Nossa ausência do Rio de Janeiro foi percebida por aqueles que acompanham o underground local nos últimos anos. A mudança foi realmente drástica: de cidade em que mais produzimos shows, até mais que São Paulo, para um lugar que visitamos poucas vezes no ano. O motivo é simples: é um mau negócio realizar eventos de pequeno e médio porte no Rio. Antes de entrarmos neste assunto, algumas ponderações são importantes. Estamos tratando especificamente do nosso ramo, ou seja, shows para até duas mil pessoas, normalmente dentro de algum sub-estilo do metal ou do progressivo – nossa análise exclui eventos em arenas ou estádios. O segundo ponto é que existe um preconceito, ou uma distorção da realidade, que resulta na ideia de que o Rio de Janeiro não tem público para rock comparado a outras praças como Porto Alegre ou Curitiba. É uma grande balela. Como segunda maior cidade do Brasil, o resultado mais comum das turnês é o Rio ter a segunda maior bilheteria. Nada mais natural. Vale ressaltar também que a crise econômica foi mais severa lá do que em outros estados, com atrasos de salários de servidores públicos, desemprego e clima generalizado de insegurança, o que certamente afeta a venda de ingressos. No Rio não falta público, faltam casas. O contraditório é que temos ótimas opções na cidade, incluindo algumas das melhores para shows deste porte no país, como Circo Voador e Imperator. Porém, na maioria delas, a equação dificilmente favorece o produtor. O Circo Voador é, provavelmente, a nossa casa favorita em todo o Brasil. Os shows lá tendem a ser memoráveis, com uma aura que...